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Intérprete de Males - minhas impressões


Intérprete de Males é o livro de contos da autora indiana Jhumpa Lahiri que ganhou o Prêmio Pulitzer. Esse anúncio basta para criar uma grande expectativa sobre este livro. Eu não gosto de ler livros ou ver filmes com grandes expectativas, tenho medo de me frustrar, o que normalmente acontece. Com Lahiri foi diferente. Sua escrita é fluida, limpa, instigante, explora muitos sentimentos nas entrelinhas, oferece a história para interpretação de quem lê. Seus contos trazem no cerne, acho que até como premissa, a atração e as contradições entre Ocidente e Oriente. Mas não se limita a essa dicotomia, acho que o cerne, na verdade, são contradições: entre Ocidente e Oriente, ou Novo e Velho Mundo, entre homens e mulheres, entre ricos e pobres.


Seu estilo me remeteu à escrita e ao ambiente de outras escritoras estrangeiras que admiro muito - Alice Munro e também, de certa forma, à Chimamanda Ngozi Adichie (esta última até mais pela temática da diáspora):


- explora a banalidade das vidas, cenários e situações comuns, do dia a dia, que vão evoluindo sutilmente, e conectando diversos elementos, metáforas, imagens e eventos.


- me fez viajar para minha vida em Montreal e minha lua-de-mel em Bali e Katmandu, reviver meus próprios conflitos internos, minhas curiosidades e pré-conceitos sobre lugares e pessoas desconhecidos. Várias vezes falamos da arte, da escrita, como catarse, mas no sentido da produção artística. Aqui, para mim, a catárse se deu a partir da leitura.


- para mim foi bem marcante a crítica à cultura ocidental colonizante (em especial dos Estados Unidos), e invisibilizante de outras culturas. Chega quase a ser caricata como representação de um povo alienado e desinteressado pelo outro. Em alguns momentos, é um americano, que não faz ideia de como é a vida na Índia, em outros, é um homem, que não se conecta com a dor que a mulher está sentindo, outras vezes, é o abismo social que se apresenta, indiferente às carências dos mais necessitados ou excluídos.


Eu vejo este livro como um livro de histórias sobre mulheres. São diversas vozes femininas, em contextos muito variados, às vezes submissas, outras descobrindo seu poder e individualidade. Mesmo quando o personagem central é um homem, como no conto sobre o Sr. Pirzada, ou o Intérprete de males, que dá nome ao livro, o no conto O terceiro e último continente, sempre há uma mulher forte ou inigmática com uma forte presença na história.


Conversando com colegas leitores/escritores, observamos que alguns contos são mais impactantes que outros, são mais eficázes em atribuir um efeito estético às descrições, que para muitos, são excessivas.


Eu, particularmente, adorei o livro como um todo, mas destaco alguns contos, ou por terem me tocado mais profundamente, ou pela sutileza da crítica social: Uma situação temporária, Quando o senhor Pirzada vinha jantar, Intérprete de Males, Sexy, A casa da Sra. Sen, Esta casa abençoada.

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